Pobre senhora idosa e sem vida voltou!
Ergueu-se e venceu a sua enfermidade,
Depois de anos na sua cama imunda de desgosto,
Ela ergue-se por entre todas as suas rugas,
Frágil,
Passe a passo ela retoma o seu lugar,
Nesta caminhada apressada para sitio algum.
Quem não lembra da senhora à janela,
De fotografia na mão,
Com lágrimas a escorrerem pelo rosto?
Pobre tristeza solitária sem cor,
Sem conforto na sua dor,
Do há muito perdido amor.
Hoje olhou-se no espelho,
E viu o quanto bonita ainda era,
Quanto dócil era o seu rosto,
E profundos seus olhos.
Sabia que ainda tinha de viver,
E se assim teria que ser,
Teria que voltar a aprender,
A caminhar.
Embora com as marcas da amargura,
Ela no fundo do seu ser,
Voltou a encontrar-se na imensidão.
Hoje ela levantou-se,
Voltou a vestir aquele vestido,
Ajeitou o cabelo grisalho longo,
Calçou os tais sapatos de verniz,
Pôs o lindo colar de pérolas,
Pintou os lábios com baton rouge,
E finalmente saiu para dançar.
Dançar,
Sair,
Viver.
Viver.